E o pássaro deu o primeiro salto
sua asas, de inexperientes,
o levaram ao chão
e sentiu a terra imponente
adentrar por suas penas,
impondo-lhe decisão e luta.
No entanto, não tinha sequer a visão do ninho
que, de tão distante,
acabou por duvidar-lhe a existência.
Não se permitiu, todavia, sentir a dor
que objetivamente existia
e fingiu não ver o líquido avermelhado
que escorria por suas penas, quase plumas,
brancas,
agora rosadas.
Eergueu com cuidado a cabeça
e viu todo o mundo,
que se resumia a algumas rosas esquecidas,
em meio à imensidão quase vazia
daquela terra distante
que do alto
sonhara sempre em conhecer.
Sentiu uma brisa que acalmou suas ansiedades
transmitindo-lhe a paz
que jamais imaginara existir,
quando foi tomado nas mãos
de uma das criaturas grandes que já havia avistado.
Temeroso, estranhamente,
sentiu-se protegido.
No entanto, o sol já havia se posto.
Infelizmente, cedo demais,
levando a primeira
e única
e última
imagem que teve deste mundo.
Tempo...
pouco.
Tarde demais
para essas criaturinhas que nos damos ao direito
de tirar as vidas
antes mesmo que a vida por inteira
seja por elas conhecida.
Pois nada mais cruel do que a falta de oportunidades
e nada mais eficaz para destruir vidas e sonhos
do que não se ter para onde olhar,
do que não ser notado
do que simplesmente não ser.
Se ainda resta esperança,
é pouca
para as nossas tantas
e quantas
criaturinhas,
que nem sequer conseguem
dar o primeiro voo
e já caem forte demais
para pensar em sonhar.
(Este poema foi publicado em 1995, na 4a Coletânia do Centro Literário Pelotense - CLIPE)
Nenhum comentário:
Postar um comentário