domingo, 28 de agosto de 2011

Por um instante apenas

Um dia apenas
Uma hora que fosse
Daquela alegria pura
Dos dias que fluíam doces
Sem calma, nem pressa
Sem dor
Ainda distantes da saudade
Ingênuos de todo o mais.

Ah, se pudesse viver
Um minuto inteiro daquela
Terna paz
Que parecia sem fim
E agora, ocupada demais,
Passa distante a rir de mim.

Penso e busco na memória
Resquícios daqueles tempos de sol
Em que a mente parecia inebriada
E o coração a transbordar de paixão

Hoje desperto
Mais um dia cansada
Dolorida das marcas que a vida me fez
Cortes profundos sangram
E eu, sozinha,
Nos medos que não enfrentei.

Agora tudo é luta.
A respiração é luta.
O coração calmo é luta.

Ah, bastava a mim
Apenas mais um segundo
Daquele tempo
Sem a poluição
Das minhas angústias.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Caia querida,
    Parte das minhas marcas são marcas das tuas marcas.
    Realmente os sentimentos que sempre tive com relação as minhas perdas foi de perda de parte do meu corpo físico.
    ...e assim vou vivendo,perdendo mortos e perdendo vivos, mas vivendo e vivendo muito intensamente o que a vida me ofereceu de bom.
    Assim és tu minha sobrinha, que mais parece ser minha filha pelo jeito de sentir, sofrer, reagir e criar. Somos parecidas, muito parecidas, só agora me dei por conta. Materializamos nossas feridas e as transformamos em arte.
    Respondendo ao teu questionamento: nada poderia ser melhor. Tua virada foi importante para ti, mas também para todos que te rodeiam.
    Usas a melodia dos teus poemas não só para realizar tua catarse, mas para deixar nossas vidas mais vida

    com carinho

    Arminda Lopes

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