Se me dissessem que seis anos após, eu estaria publicando um livro, eu jamais acreditaria.
Se me informassem que, sim, eu veria a minha filha, então com pouco mais de dois anos, alfabetizar-se, eu diria que estavam doidos.
E, mais, se contassem que eu, exemplo do sedentarismo, estaria correndo quase vinte minutos e gostando, eu gargalharia, para não chorar.
Mesmo se me dissessem apenas: daqui há seis anos, estarás viva! Nem assim, naquele momento, confiaria totalmente nessas palavras.
Jamais esquecerei quando, na espera para uma consulta espiritual, ouvi da minha tia Arminda que somos marcados como gado pelos nossos sofrimentos, nosssa perdas.
' Ninguém passa por essa vida imune', lembro de ouvi-la falar.
Acredito muito naquelas palavras.
Somos marcados a ferro e fogo pela vida.
Sangramos.
Sofremos e com o tempo as marcas cicatrizam, mas para sempre estarão aqui.
Mais significativas do que as tatuagens, eis que não foram escolhidas mas impostas.
Questiono-me: se soubesse o dia de hoje, teria enfrentado melhor as dores do passado?
Creio que não.
Aprendi a amar a vida de uma forma particular e intensa.
Verdade apenas é que tudo se modifica a cada instante.
Nós, os rios, os sons, os sentimentos.
E a surpresa do amanhã ainda persiste trazendo o que há de mais belo na aventura do viver
- a esperança.
Li, recentemente, uma belíssima poesia de Manuel Bandeira que, a meu ver, retrata perfeitamente o porquê da opção que fazemos a cada amanhacer pela vida,
ainda assim e apesar de tudo, pela VIDA.
Diz o poema:
A VIDA ASSIM NOS AFEIÇOASe fosse dor tudo na vida,
Seria a morte o sumo bem.
Libertadora apetecida,
A alma dir-lhe-ia, ansionsa: - "Vem!
"Quer para a bem-aventurança
"Leves de um mundo espiritual
"A minha essência, onde a esperança
"Pôs o seu hálito vital;
"Quer, no mistério que te esconde,
"Tu sejas, tão somente, o fim:
" - Olvido impertubável, onde
"Não restará nada de mim!"
Mas horas há que marcam fundo...
Feitas, em cada um de nós,
De eternidade de segundo,
Cuja saudade extingue a voz.
Ao nosso ouvido, embaladora,
A ama de todos os mortais,
A esperança prometedora,
Segreda coisas irreais.
E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper:
Tudo o que amamos são pedaços
Vivos do nosso próprio ser.
A vida assim nos afeiçoa,
Prende. Antes fosse toda fel!
Que ao se mostrar às vezes boa,
Ela requinta em ser cruel...
(Manuel Bandeira in Estrela da Vida Inteira, p. 54/55)
Oi Carla, não sabia desse lado escritora, nem do que vc passou. Mas o importante é que cheguei aqui por acaso, e onde quero voltar sempre. Espero não perder mais contato. Embora a distância física, a internet acabou c as barreiras, o mundo ficou pequeno. Um beijo grande, Angela Dal Pos
ResponderExcluirSempre quando leio alguma coisa escrita por ti me da vontade de te cutucar e perguntar algumas coisas...hehehe Básico!
ResponderExcluirFico feliz de fazer parte, pelo menos minimamente, de uma das tuas superações. Até boxe essa mulher anda fazendo...Rodolfo cuidado, ela leva jeito!! =]
Congratulations for everything!
xoxo how much is possible
Dra., fiquei muito emocionada ao ler seu post. Tanto brilho, simplicidade e demonstração de coragem em poucas palavras.. exatamente como tu és. Estou só na espera do livro agora! Beijos!! Bruna
ResponderExcluirDra. simplesmente tocante!
ResponderExcluirParabéns pelas belas palavras, assim como a Bruna estarei na espera do livro.
Seguirei acompanhando!
Parabéns!
Beijos
Carol